A parte mais difícil do intercâmbio

Escolher a agência. Escolher o destino. Escolher a escola. Contar os dias. Separar as roupas e tudo o que vai levar. Arrumar a mala. Despedidas, despedidas. Se despedir.

Deixar tudo pra trás e ir ao encontro do incerto. O incerto mais certo da minha vida. Se despedir.

Para embarcar nessa viagem, a gente abre mão de muita coisa. Mas tudo o que realmente deixamos pra trás é pra não pesar a bagagem.E, com o tempo, a gente percebe que precisa de cada vez menos do que trouxe e mais do que encontramos aqui.

A gente começa a cortar, aos poucos e sutilmente, o que não nos faz bem – afinal, já estamos absortos em meio a um oceano de sentimentos: a saudade de casa, a felicidade das descobertas, os novos amores e desamores, que manter conosco o que não nos acrescenta, não nos engrandece e não nos ajuda a seguir em frente acaba sendo desnecessário.

Em meio a esse oceano, encontramos outros viajantes como nós: alguns mais perdidos, outros mais decididos. E assim contruímos pontes, formamos laços. Com pessoas que podem ser o total oposto de nós: toda gótica, ouvindo rock e se fazendo de durona; de olhinhos rasgados, super decidida e com os melhores e mais sensatos conselhos; boliviana esquentadinha, mas com coração de mãe; o kitchen porter que estava todo preocupado em conseguir trabalho com um nível de inglês mais básico, mas que hoje é super querido no trabalho; o comunista que fala “uai”; a baiana mais pontual; a aspirante a jornalista, toda curiosa e com o sonho de mudar o mundo.

O bom da vida é saber que não importa por onde a gente ande, sempre construímos novos portos para os quais voltar.

O mais difícil sempre é desatracar

De.sa.tra.car

verbo
transitivo direto e intransitivo
mar desamarrar(-se), soltar(-se) e/ou afastar(-se) de cais ou de outra embarcação a que esteja atracado; levantar âncora.
“d. uma embarcação”

p_20161021_124210

Levantar âncora e partir. Não importa de onde ou pra onde. O importante é continuar seguindo.

E nesse ir e vir, a gente, que está acostumada a partir, sente o pesar de quem parte de nós. Quando partimos, lá no começo, sabemos que, mais cedo ou mais tarde, voltaremos para o mesmo porto. O difícil é ter certeza da incerteza que é rever o que vimos no caminho.

Pra mim, o intercâmbio é isso: se amarrar e desamarrar, fazer e se deixar ser porto de novos navegantes. Desses seis meses que levantei âncora e parti, tenho um orgulho enorme de tudo que vi – mas, mais do que tudo, tenho um orgulho enorme das amizades que conquistei.

Que a vida ainda permita inúmeras vezes que eu cruze novamente minhas rotas com a de pessoas que se tornaram tão queridas. E que elas saibam que tem em mim um porto para o qual sempre podem retornar.

Esse post é dedicado a todas as pessoas incríveis que eu tive a oportunidade de conhecer aqui na Irlanda. Mas principalmente à  miga Ilana, do Sneak a peek at my trips! que começa a destracar daqui pra atracar nos próximos sonhos. 

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